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quinta-feira, 23 de abril de 2020

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Reino Unido e Alemanha iniciam testes em humanos de vacinas contra o coronavírus

Na corrida contra o relógio para encontrar um tratamento eficaz contra o novo coronavírus, Alemanha e Reino Unido iniciaram testes com duas vacinas diferentes contra a doença. Os dois países esperam disponibilizá-las para o público dentro de alguns meses.


A Universidade de Oxford deve dar início nesta quinta-feira (23) a exames clínicos da substância em humanos. A primeira bateria de testes servirá para avaliar a segurança e a eficácia da vacina.
No total, 1.112 voluntários participam do experimento. Destes, 551 receberão uma dose da potencial vacina contra a Covid-19, e a outra metade uma vacina padrão. Dez participantes receberão duas doses da substância experimental, com um intervalo de quatro semanas.

O tratamento desenvolvido pela Universidade de Oxford é baseado em um adenovírus modificado que afeta os chimpanzés. Segundo a equipe, liderada pela pesquisadora Sarah Gilbert, a vacina pode "gerar uma forte resposta imune com uma dose única e não é um vírus replicante", portanto "não pode causar infecção contínua no indivíduo vacinado". Isso torna "mais seguro para crianças, idosos" e pacientes com doenças crônicas, como diabetes.
80% de chances de eficácia
Os trabalhos da Universidade de Oxford são apoiados pelo governo britânico, cujo ministro da Saúde, Matt Hancock, elogiou os esforços dos cientistas. Para ele, há um “desenvolvimento promissor” de uma vacina em andamento no Reino Unido.
A equipe da pesquisadora Sarah Gilbert aposta em 80% de sucesso deste tratamento. Caso ele traga resultados em humanos, a previsão é de produzir um milhão de doses e disponibilizá-las até setembro, quando começa o outono no Hemisfério Norte.
No entanto, outros cientistas que participam do projeto acreditam que esse calendário é "altamente ambicioso" e pode mudar. Já o diretor de saúde do Reino Unido, Chris Whitty, reconheceu na quarta-feira (22) que a probabilidade de obter uma vacina ou tratamento eficaz "este ano é muito baixa".
Alemanha em um “estágio importante” de desenvolvimento de uma vacina
Na Alemanha, as autoridades federais encarregadas da certificação de vacinas aprovaram na quarta-feira testes clínicos em humanos pelo laboratório alemão BioNTech, sediado em Mainz, em colaboração com a gigante americana Pfizer. Ainda não há uma data precisa para o início do experimento, mas o presidente da BioNTech, Ugur Sahin, garantiu que eles deveriam começar "no final de abril".
Esses ensaios - os quintos em humanos em todo mundo - segundo o Instituto Paul Ehrlich (IPE), são "um estágio importante" para que a vacina esteja "disponível o mais rápido possível". Essa instituição alega ter dado sua aprovação após uma "avaliação completa do relatório de riscos e benefícios potenciais" do produto que está sendo testado.
Os testes serão inicialmente realizados com 200 voluntários saudáveis, entre 18 e 55 anos de idade. A segunda fase deve ser realizada com voluntários com perfil de risco, segundo o IPE.
De acordo com o instituto, o objetivo é "determinar a tolerância geral da vacina testada e sua capacidade de fornecer uma resposta imune contra o patógeno", um vírus do tipo RNA, que tem a particularidade de sofrer mutações.
Os primeiros dados podem estar disponíveis "no final de junho, ou no início de julho", afirma o presidente da BioNTech. O laboratório, especializado em tratamentos contra o câncer, junto com a gigante farmacêutica Pfizer, agora espera obter a aprovação das autoridades de saúde americanas para também realizar testes nos Estados Unidos.
Sete vacinas em andamento
Cerca de seis meses após o início da epidemia do novo coronavírus na China, não há nenhum medicamento ou vacina eficaz contra a Covid-19. A doença se aproxima da barra de 200 mil mortes, além de ter contaminado cerca de 2,5 milhões de pessoas em todo o mundo.
Entre as centenas de pesquisas realizadas no mundo para encontrar uma vacina - a única maneira possível, segundo a ONU, de retornar à "normalidade" -, sete estão na fase de testes clínicos em seres humanos, segundo a London School of Hygiene and Tropical Medicine.
A busca por um tratamento contra o vírus provoca uma disputa feroz em alguns países. Berlim afirmou ter sofrido pressão dos Estados Unidos para a aquisição do laboratório farmacêutico alemão CureVac.
Por isso a Comissão Europeia fez um apelo aos 27 países do bloco para que "se protejam" das propostas aliciadoras de alguns países para a compra exclusiva de tratamentos ou empresas em setores estratégicos.

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